Não importa se não a construirmos

“Qual ancestral fala através de mim? Eu não posso viver ao mesmo tempo com a minha cabeça e o meu corpo. Por isso não consigo ser uma só pessoa. Sou capaz de sentir infinitas coisas ao mesmo tempo. O grande mal de nosso tempo é não haver mais grandes mestres. A estrada do nosso coração está coberta de sombras. Devemos ouvir as vocês que parecem inúteis. E que no cérebro cheio de coisas aprendidas na escola, no asfalto e na prática assistencial e com o zumbido dos insetos que entram na minha orelha.  Precisamos encher os olhos e as orelhas daquelas coisas que existem no início de um grande sonho. Todos devem gritar que construiremos uma pirâmide, não importa se não a construirmos. O que importa é alimentar os desejos, temos que tirar a alma de todas as partes, como se fosse um lençol que cobre o infinito. Para o mundo ir em frente devemos dar as mãos, misturar os assim chamados sãos com o que são chamados doentes. E vocês, sãos, o que significa a sua saúde? Todos os olhos do mundo veem o precipício em que estamos caindo. A liberdade é inútil se não tem coragem de olhar com os olhos da cara e de comer conosco, e de beber conosco e de dormir conosco! Os assim chamados sãos foram os que conduziram o mundo para a catástrofe.”  [do filme Nostalghia, de Tarkovsky]

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