Não mexe comigo

Onde vai valente, você secou
Seu olhos insones secaram
Não vêem brotar a relva que cresce livre, verde
Longe da tua cegueira
Seus ouvidos se fecharam a qualquer música, qualquer som

Nem o bem, nem o mal, pensam em ti
Ninguém te escolhe
Você pisa na terra mas não a sente, apenas pisa
Apenas vaga sobre o planeta
E já nem ouve as teclas do teu piano

Você está tão mirrado que nem o Diabo te ambiciona
Não tem alma
Você é o oco, do oco, do oco, do sem fim do mundo

Eu posso engolir você
Só para cuspir depois
(…)
Não mexe comigo
Que eu não ando só.

[Carta de amor, texto de Maria Bethânia]

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