Dentes descabelados

Enigmas e entrechoques nas obras de Tunga

por Bruno Moreschi
publicado na revista piauí (10/10)
foto: Gilles Hutchinson

Na sua primeira exposição, em 1974, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Tunga exibiu aquarelas com pães velhos e pedaços de algodão. Dois anos depois, na galeria de Luisa Strina, em São Paulo, voltou ao algodão e aos pães, mas desta vez os transformou em objetos de cera. “Quem viu, não entendeu nada”, lembrou a galerista. “Não consegui vender nenhuma das peças.” Desde o início, a obra de Tunga não se ateve a um ou dois suportes. Ele fez fotografias, performances, instalações, desenhos e esculturas. Na década de 80, começou a fazer arte com moscas.

Penou para conseguir os insetos. Na primeira tentativa, contentou-se com fotos de moscas. Depois, conseguiu a ajuda de um entomologista. A parceria durou pouco porque o especialista não gostava de arte – ou, ao menos, daquela arte. Tunga botava as moscas em gaiolas com sinos repletos de gelatina. Atraídas pela glicose, elas ficavam presas na meleca.

[continua aqui]

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