Paula Modersohn-Becker

Mostra no Masp destaca o pioneirismo da pintora alemã, uma das primeiras mulheres a se retratar nua

por Bruno Moreschi
Publicado na revista BRAVO! (08/08)

No final do século 19, depois de estudar arte em Berlim e ver trabalhos dos renascentistas Michelangelo, Dürer e Botticelli, Paula Modersohn-Becker, então com 23 anos, se mudou para perto dos artistas que deixaram Bremen, no norte da Alemanha, rumo ao campestre vilarejo de Worpswede. Foi grande a decepção do grupo quando notou que, para combater o academicismo dominante dos centros urbanos cada vez mais industrializados, a jovem não iria apenas pintar paisagens ao ar livre como todos ali já faziam.

Nos cerca de mil desenhos, 700 pinturas que produziu entre 1895 e 1905, a natureza não era uma razão por si só. Ao cenário bucólico, Paula costumava associar uma figura humana em primeiro plano. Também gostava de fazer auto-retratos, muitas vezes nua, uma ousadia para a época. Nas célebres pinturas em que aparece grávida (e igualmente despida), seu grande sonho em ser mãe recebia a serenidade nos rostos estampados, jamais a alegria.

Tais características a diferenciaram de parceiros como Fritz Mackensen, Hans am Ende e Otto Modersohn, seu marido. A singularidade fica evidente no título da mostra Paula Modersohn-Becker e os Artistas de Worpswede, que o Museu de Arte de São Paulo (Masp) mantém em cartaz até 5/10.

Paula nunca se contentou com o horizonte de Worpswede “imensamente sem rugas”, como descreveu seu amigo, o poeta Rainer Maria Rilke. Com freqüência, escapulia para Paris na ânsia de apreciar as criações de Van Gogh, Gauguin e Cézanne, este último sua maior influência, responsável por seu excessivo rigor formal. Mesmo sem conhecer o pintor austríaco Oskar Kokoschka, Paula praticou em pinceladas sua frase emblemática do expressionismo: “Tomei o lugar do mundo e transmiti sua imagem por meio de minhas visões”.

Para espanto de todos, a pintora considerava a vida “apenas um momento” e previa morrer cedo. “Viver longamente nunca foi sinônimo de saciedade”, repetia. De fato, em 1907, aos 31 anos, seu momento se esgotou, numa embolia cardíaca. Três semanas antes, dera à luz pela primeira vez e teve uma menina. Enquanto viveu, não gozou de reconhecimento artístico. Hoje, no entanto, é festejada como pioneira, sobretudo por abrir espaço para temas femininos em suas obras.

Leave a comment

Filed under Uncategorized

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s